15 de jun de 2017

Ainda existe o culto racional em nossas igrejas?

O descontrole, as meninices e o desiquilíbrio tomaram conta dos nossos Cultos? Ainda existe o culto racional em nossas igrejas?



Marcio Carvalho
14/06/2017
 01:26

Debate promovido pela a Rádio da Paz Macaé 87,9 FM

25 de mai de 2017

Apesar das adversidades - Confiemos no autor e consumador de nossa fé.



Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus. - Filipenses 1:6

Quem não tem medo? Quem não sente insegurança antes as adversidades que constantemente assolam a humanidade, e principalmente nós Cristãos? Ao ligar a TV ou passar as páginas dos jornais e revistas (físicas ou eletrônicos) vemos um aumento visível de ataques contra tudo aquilo que prezamos - ordem, justiça, honestidade, mansidão, amor e zelo por tudo que é proveniente de nosso Senhor Deus. Parece que o mundo está aglomerado em um barril de pólvora pronto a explodir e dizimar tudo o que conhecemos e prezamos.

Olhando para a situação atual penso nos irmãos que sofreram terrivelmente nas mãos do império romano nos primeiros séculos da igreja. A história secular e eclesiástica nos relatam as atrocidades cometidas contra a recente comunidade cristã que via-se assolada e esmagadas ante os seus algozes, porém em meio a essas perseguições conseguiram suportar os ultrajes, saques, espancamentos e martírios, com o coração focados em uma certeza de que "aquele que começou boa obra neles haveria de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus".

O apóstolo Paulo em sua segunda carta aos Coríntios, apresentou uma série de acontecimentos que segundo ele, gabaritava-o como sendo um verdadeiro apóstolo de nosso Senhor, ele começa a relatar:

São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São da descendência de Abraão? Também eu. São ministros de Cristo? (Falo como fora de mim.) Eu ainda mais: em trabalhos, muito mais; muito mais em prisões; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes. Cinco vezes recebi dos judeus uma quarentena de açoites menos um; fui três vezes fustigado com varas; uma vez, apedrejado; em naufrágio, três vezes; uma noite e um dia passei na voragem do mar; em jornadas, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos; em trabalhos e fadigas, em vigílias, muitas vezes; em fome e sede, em jejuns, muitas vezes; em frio e nudez. Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame? Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. 2 Coríntios 11:22-30

A igreja Coríntia estava passando por sérios problemas doutrinários, morais e facciosos que criavam um clima de instabilidade dentro a sociedade cristã, chegando ao ponto de desprezarem ou tratarem de modo depreciativo as palavras do apóstolo Paulo, que em suas próprias palavras nos diz:

As cartas, com efeito, dizem, são graves e fortes; mas a presença pessoal dele é fraca, e a palavra, desprezível. - 2 Coríntios 10:10

Lamentavelmente começou a insurgir dentro da igreja um movimento que começou a dar ouvidos a certos pregadores itinerantes que traziam consigo “supostas” cartas de recomendação advinda das congregações da Judéia, e começaram a introduzir doutrinas contrárias ao evangelho pregado pelo o apóstolo Paulo como ele expressa:

Mas receio que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também seja corrompida a vossa mente e se aparte da simplicidade e pureza devidas a Cristo. Se, na verdade, vindo alguém, prega outro Jesus que não temos pregado, ou se aceitais espírito diferente que não tendes recebido, ou evangelho diferente que não tendes abraçado, a esse, de boa mente, o tolerais. - 2 Coríntios 11:3,4  

Esses pregadores estavam apresentando um evangelho deturpado, um evangelho que não apresentava a Graça de Deus, mas um retorno as práticas judaizantes que o próprio apóstolo duramente condenou em suas epístolas, chegando a chamar de maldito (anátema) todo aquele que viesse a pregar algo diferente do que foi apresentado pelos os apóstolos (vide Gálatas 1:6). Essas práticas incluíam a volta para os costumes e práticas judaicas (como a guarda do sábado, a circuncisão, e a participação das festividades), fazendo-os desviar do real sentido dessas figuras da Antiga Aliança que era prefigurar a vinda, obra e sacrifício do Messias o Senhor Jesus Cristo.

Diante desse cenário, o apóstolo Paulo começa a apresentar a sua confiança em seu apostolado, frente a esses “superfinos apóstolos” como ele próprio denomina. Ele começa a demostrar que semelhantemente aos superfinos apóstolos ele também era oriundo da Judéia, como ele deixa bem claro: São hebreus? Também eu. São israelitas? Também eu. São da descendência de Abraão? Também eu. Ou seja, no quesito genealógico, Paulo não tinha nada de inferior a aqueles pregadores, pois ele era hebreu, israelita, descendente de Abraão, da tribo de Benjamim, circuncidado ao 8º dia, quanto aos rigores da Lei, Fariseu, discípulo do grande professor e mestre Gamaliel. Entretanto existia uma diferença clara entre o apóstolo e esses autoproclamados apóstolos – as marcas de Cristo. O Apóstolo Paulo nos descreve o que ele passou na carne por causa do Evangelho - trabalhos, prisões, açoites, perigos de morte, fustigação com varas, apedrejamento, naufrágio, jornadas, perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos entre patrícios, em perigos entre gentios, em perigos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre falsos irmãos, vigílias, fome, sede, frio e nudez. Esses “sofrimentos” se assim podemos chamar, atestavam o desprendimento do apóstolo para com as coisas materiais e demonstravam sua total entrega aos assuntos relacionados ao Reino de Deus; o apóstolo não queria ser honrado ou respeitado por causa do seu título de APÓSTOLO, pelo o contrário, o fato de ele ser um APÓSTOLO, o movia a ser um desbravador em prol do reino, não em busca de benefícios financeiros ou status dentro da igreja, como faziam o falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, sendo comparados com o próprio satanás. Esses apenas visavam os seus próprios interesses, não os de Cristo. Em contrapartida vemos o trabalho de Paulo que nos diz:

Além das coisas exteriores (todos os flagelos que ele suportou), há o que pesa sobre mim diariamente, a preocupação com todas as igrejas. Quem enfraquece, que também eu não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me inflame? Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza. (versos 28-30)

O real selo do apostolado não era o de ser chamado apóstolo, mas o de viver de acordo com o seu chamado – o chamado de ser anunciador das boas novas as congregações de nosso Senhor. Paulo tinha uma íntima relação com as igrejas, e quando deparado com falsos apóstolos, com os lobos que tentavam afastar a igreja dos caminhos do Senhor ele se escandalizava, se inflamava pois não era o nome dele que eles estavam manchando, mas o do Senhor Jesus Cristo.

Paulo não se considerava um superapóstolo, pelo o contrário ele tinha uma total convicção de suas limitações de fraquezas. Ele tinha um espinho na carne, ele provavelmente tinha sequelas das chibatas, açoites, espancamento e apedrejamentos que sofreu, entretanto a sua força estava no seu Deus e Senhor. É aqui que voltamos ao início de nosso texto. Paulo tinha medo? Claro! Será que ele se sentia inseguro, abatido, sozinho? Com certeza! Porém ele tinha a convicção que independentemente dos acontecimentos globais ou particulares, o seu Deus estava no controle de tudo. Como o texto base de nossa explanação deixa explicito, Paulo reconhecia que o seu chamado, conversão, arrependimento e trabalho foi obra de Deus, pois foi ele começou a boa em seu coração transformando-o de Paulo o perseguidor e assassino de cristãos, em Paulo o perseguido por causa do evangelho, e se Deus iniciou o trabalho ele havia de completar pois como diz as escrituras:

Se Deus é por nós, quem será contra nós? – Romanos 8:31
Agindo EU (Deus), quem o impedirá? – Isaías 43:13

Assim amados irmão tenhamos em mente as palavras do Apóstolo João a carta de Esmirna:

Ao anjo da igreja em Esmirna escreve: Estas coisas diz o primeiro e o último, que esteve morto e tornou a viver: Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a si mesmos se declaram judeus e não são, sendo, antes, sinagoga de Satanás. Não temas as coisas que tens de sofrer. Eis que o diabo está para lançar em prisão alguns dentre vós, para serdes postos à prova, e tereis tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O vencedor de nenhum modo sofrerá dano da segunda morte. – Apocalipse 2:8-11

O senhor conhece a nossa tribulação e as nossas dificuldades, e conhece os nossos medos e temores, sabe os ardis que os nossos inimigos e principalmente os inimigos do evangelho armam para nos derrubar e desanimar, conhece aqueles que fazem parte da sinagoga de satanás, que se acham crentes, que se acham justos (como os superfinos apóstolos), mas que na verdade estão apenas servindo aos interesses de Belial. Porém devemos ter em mente as palavras de nosso Senhor aquela igreja: “Conheço a tua tribulação, a tua pobreza (mas tu és rico) e a blasfêmia dos que a sí mesmos se declaram judeus e não são”. Nos nossos momentos de sofrimento muitas vezes nos prendemos as dificuldades, que nos esquecemos de olhar para a solução dos nossos problemas – Deus. O próprio Deus nos diz que conhece as nossas tribulações, nossas dificuldades, as injúrias que sofremos por sermos fiéis ao seu Nome, mas o nosso senhor nos dá um grande encorajamento quando diz, “Não temas as coisas que tens de sofrer”, em outras palavras, confie em mim, que cumprirei a minha palavra, as minhas promessas, pois sou aquele que comecei a boa obra em sua vida e ei de termina-la.

Irmãos muitas vezes depositamos as nossas confianças em governos, no dinheiro em nossa instrução e nos esquecemos de confiar em Deus, muitas vezes o nosso Senhor permite que passemos por dificuldades, aflições ou perdas para que nos aproximemos mais e mais dele, ao ponto de criarmos as cicatrizes do Evangelho, pois devemos depender de nosso Deus, da mesma forma que nós dependemos do ar para vivermos. Deus é a nossa confiança, nossa força e nosso ajudador, ele sempre estará ao nosso lado, como um pai que guia um filho em um terreno acidentado, Deus nos guia nesse mundo atribulado, e nos garante que todos os que se deixam guiar terão a recompensa de receber a cora da Vida, pois é Ele que é o autor e consumador de nossa fé - Hebreus 12:2

Graça e Paz
Leandro Rocha

31 de out de 2016

499 anos da Reforma Protestante - As 95 Teses que mudaram o Mundo




Por ocasião da comemoração dos 499 anos da Reforma Protestante, gostaríamos de compartilhar as 95 teses da justificação pela fé, que o Monge Agostiniano Martinho Lutero fixou no portão da igreja de Wittenberg, com o objetivo de promover um debate acerca dos problemas que ele enxergava na igreja, a saber, a venda de indulgencias, penitências visando a absolvição de pecados e a necessidade de reforçar a salvação pela a Fé.

Queremos reforçar que o movimento da “reforma” da igreja surgiu bem antes de Lutero, diversos clérigos ao examinarem a escritura e compararem com a instituição católica propuseram ajustes, porém os seus clamores foram sufocados, mas não esquecidos. Entre esses pré-reformadores temos:

Os Valdenses (1174)
Os Albigenses (1209)
John Tauler (1300-1361)
John Wycliffe (1328 - 1384)
Os Lolardos (1387)
John Huss (1373-1415)
Jerônimo Savonarola (1452-1498)
William Tyndale (1484-1536)

Esses homens e mulheres lutaram por aquilo que posteriormente se tornou o lema da reforma protestante:  

SOLA FIDE - Somente a Fé
SOLA SCRIPTURA - somente a Escritura
SOLUS CHRISTUS - somente Cristo
SOLA GRATIA - somente a Graça
SOLI DEO GLORIA - Glória somente a Deus

Busquemos no dia de hoje meditar nas lutas que os nossos irmãos tiveram que enfrentar para que viéssemos a ter a oportunidade de ler a Bíblia em nossa língua materna, de possuir um exemplar pessoal da Bíblia, de reconhecer que somente podemos ser justificados pela Fé, e que somente ao perscrutarmos as sagradas escrituras reconhecemos a necessidade de um salvador que é Cristo, e que quando nos rendemos a ele, ele nos agracia com a sua justificação, justificação essa que não é para nos enaltecer, pelo o contrário é para que reconheçamos a Glória de Deus.

Abaixo temos as 95 Teses de Martinho Lutero afixadas na igreja de Wittenberg:


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Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1 Ao dizer: "Fazei penitência", etc. [Mt 4.17], o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência.

2 Esta penitência não pode ser entendida como penitência sacramental (isto é, da confissão e satisfação celebrada pelo ministério dos sacerdotes).

3 No entanto, ela não se refere apenas a uma penitência interior; sim, a penitência interior seria nula, se, externamente, não produzisse toda sorte de mortificação da carne.

4 Por conseqüência, a pena perdura enquanto persiste o ódio de si mesmo (isto é a verdadeira penitência interior), ou seja, até a entrada do reino dos céus.

5 O papa não quer nem pode dispensar de quaisquer penas senão daquelas que impôs por decisão própria ou dos cânones.

6 O papa não pode remitir culpa alguma senão declarando e confirmando que ela foi perdoada por Deus, ou, sem dúvida, remitindo-a nos casos reservados para si; se estes forem desprezados, a culpa permanecerá por inteiro.

7 Deus não perdoa a culpa de qualquer pessoa sem, ao mesmo tempo, sujeitá-la, em tudo humilhada, ao sacerdote, seu vigário.

8 Os cânones penitenciais são impostos apenas aos vivos; segundo os mesmos cânones, nada deve ser imposto aos moribundos.

9 Por isso, o Espírito Santo nos beneficia através do papa quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade.

10 Agem mal e sem conhecimento de causa aqueles sacerdotes que reservam aos moribundos penitências canônicas para o purgatório.

11 Essa erva daninha de transformar a pena canônica em pena do purgatório parece ter sido semeada enquanto os bispos certamente dormiam.

12 Antigamente se impunham as penas canônicas não depois, mas antes da absolvição, como verificação da verdadeira contrição.

13 Através da morte, os moribundos pagam tudo e já estão mortos para as leis canônicas, tendo, por direito, isenção das mesmas.

14 Saúde ou amor imperfeito no moribundo necessariamente traz consigo grande temor, e tanto mais, quanto menor for o amor.

15 Este temor e horror por si sós já bastam (para não falar de outras coisas) para produzir a pena do purgatório, uma vez que estão próximos do horror do desespero.

16 Inferno, purgatório e céu parecem diferir da mesma forma que o desespero, o semidesespero e a segurança.

17 Parece desnecessário, para as almas no purgatório, que o horror diminua na medida em que cresce o amor.

18 Parece não ter sido provado, nem por meio de argumentos racionais nem da Escritura, que elas se encontram fora do estado de mérito ou de crescimento no amor.

19 Também parece não ter sido provado que as almas no purgatório estejam certas de sua bem-aventurança, ao menos não todas, mesmo que nós, de nossa parte, tenhamos plena certeza.

20 Portanto, sob remissão plena de todas as penas, o papa não entende simplesmente todas, mas somente aquelas que ele mesmo impôs.

21 Erram, portanto, os pregadores de indulgências que afirmam que a pessoa é absolvida de toda pena e salva pelas indulgências do papa.

22 Com efeito, ele não dispensa as almas no purgatório de uma única pena que, segundo os cânones, elas deveriam ter pago nesta vida.

23 Se é que se pode dar algum perdão de todas as penas a alguém, ele, certamente, só é dado aos mais perfeitos, isto é, pouquíssimos.

24 Por isso, a maior parte do povo está sendo necessariamente ludibriada por essa magnífica e indistinta promessa de absolvição da pena.

25 O mesmo poder que o papa tem sobre o purgatório de modo geral, qualquer bispo e cura tem em sua diocese e paróquia em particular.

26 O papa faz muito bem ao dar remissão às almas não pelo poder das chaves (que ele não tem), mas por meio de intercessão.

27 Pregam doutrina humana os que dizem que, tão logo tilintar a moeda lançada na caixa, a alma sairá voando [do purgatório para o céu].

28 Certo é que, ao tilintar a moeda na caixa, podem aumentar o lucro e a cobiça; a intercessão da Igreja, porém, depende apenas da vontade de Deus.

29 E quem é que sabe se todas as almas no purgatório querem ser resgatadas? Dizem que este não foi o caso com S. Severino e S. Pascoal.

30 Ninguém tem certeza da veracidade de sua contrição, muito menos de haver conseguido plena remissão.

31 Tão raro como quem é penitente de verdade é quem adquire autenticamente as indulgências, ou seja, é raríssimo.

32 Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de carta de indulgência.

33 Deve-se ter muita cautela com aqueles que dizem serem as indulgências do papa aquela inestimável dádiva de Deus através da qual a pessoa é reconciliada com Deus.

34 Pois aquelas graças das indulgências se referem somente às penas de satisfação sacramental, determinadas por seres humanos.

35 Não pregam cristãmente os que ensinam não ser necessária a contrição àqueles que querem resgatar ou adquirir breves confessionais.

36 Qualquer cristão verdadeiramente arrependido tem direito à remissão pela de pena e culpa, mesmo sem carta de indulgência.

37 Qualquer cristão verdadeiro, seja vivo, seja morto, tem participação em todos os bens de Cristo e da Igreja, por dádiva de Deus, mesmo sem carta de indulgência.

38 Mesmo assim, a remissão e participação do papa de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.

39 Até mesmo para os mais doutos teólogos é dificílimo exaltar perante o povo ao mesmo tempo, a liberdade das indulgências e a verdadeira contrição.

40 A verdadeira contrição procura e ama as penas, ao passo que a abundância das indulgências as afrouxa e faz odiá-las, pelo menos dando ocasião para tanto.

41 Deve-se pregar com muita cautela sobre as indulgências apostólicas, para que o povo não as julgue erroneamente como preferíveis às demais boas obras do amor.

42 Deve-se ensinar aos cristãos que não é pensamento do papa que a compra de indulgências possa, de alguma forma, ser comparada com as obras de misericórdia.

43 Deve-se ensinar aos cristãos que, dando ao pobre ou emprestando ao necessitado, procedem melhor do que se comprassem indulgências.

44 Ocorre que através da obra de amor cresce o amor e a pessoa se torna melhor, ao passo que com as indulgências ela não se torna melhor, mas apenas mais livre da pena.

45 Deve-se ensinar aos cristãos que quem vê um carente e o negligencia para gastar com indulgências obtém para si não as indulgências do papa, mas a ira de Deus.

46 Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem bens em abundância, devem conservar o que é necessário para sua casa e de forma alguma desperdiçar dinheiro com indulgência.

47 Deve-se ensinar aos cristãos que a compra de indulgências é livre e não constitui obrigação.

48 Deve-se ensinar aos cristãos que, ao conceder indulgências, o papa, assim como mais necessita, da mesma forma mais deseja uma oração devota a seu favor do que o dinheiro que se está pronto a pagar.

49 Deve-se ensinar aos cristãos que as indulgências do papa são úteis se não depositam sua confiança nelas, porém, extremamente prejudiciais se perdem o temor de Deus por causa delas.

50 Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa soubesse das exações dos pregadores de indulgências, preferiria reduzir a cinzas a Basílica de S. Pedro a edificá-la com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.

51 Deve-se ensinar aos cristãos que o papa estaria disposto - como é seu dever - a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns pregadores de indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo que para isto fosse necessário vender a Basílica de S. Pedro.

52 Vã é a confiança na salvação por meio de cartas de indulgências, mesmo que o comissário ou até mesmo o próprio papa desse sua alma como garantia pelas mesmas.

53 São inimigos de Cristo e do papa aqueles que, por causa da pregação de indulgências, fazem calar por inteiro a palavra de Deus nas demais igrejas.

54 Ofende-se a palavra de Deus quando, em um mesmo sermão, se dedica tanto ou mais tempo às indulgências do que a ela.

55 A atitude do papa é necessariamente esta: se as indulgências (que são o menos importante) são celebradas com um toque de sino, uma procissão e uma cerimônia, o Evangelho (que é o mais importante) deve ser anunciado com uma centena de sinos, procissões e cerimônias.

56 Os tesouros da Igreja, dos quais o papa concede as indulgências, não são suficientemente mencionados nem conhecidos entre o povo de Cristo.

57 É evidente que eles, certamente, não são de natureza temporal, visto que muitos pregadores não os distribuem tão facilmente, mas apenas os ajuntam.

58 Eles tampouco são os méritos de Cristo e dos santos, pois estes sempre operam, sem o papa, a graça do ser humano interior e a cruz, a morte e o inferno do ser humano exterior.

59 S. Lourenço disse que os pobres da Igreja são os tesouros da mesma, empregando, no entanto, a palavra como era usada em sua época.

60 É sem temeridade que dizemos que as chaves da Igreja, que lhe foram proporcionadas pelo mérito de Cristo, constituem este tesouro.

61 Pois está claro que, para a remissão das penas e dos casos, o poder do papa por si só é suficiente.

62 O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.

63 Este tesouro, entretanto, é o mais odiado, e com razão, porque faz com que os primeiros sejam os últimos.

64 Em contrapartida, o tesouro das indulgências é o mais benquisto, e com razão, pois faz dos últimos os primeiros.

65 Por esta razão, os tesouros do Evangelho são as redes com que outrora se pescavam homens possuidores de riquezas.

66 Os tesouros das indulgências, por sua vez, são as redes com que hoje se pesca a riqueza dos homens.

67 As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como as maiores graças realmente podem ser entendidas como tal, na medida em que dão boa renda.

68 Entretanto, na verdade, elas são as graças mais ínfimas em comparação com a graça de Deus e a piedade na cruz.

69 Os bispos e curas têm a obrigação de admitir com toda a reverência os comissários de indulgências apostólicas.

70 Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa.

71 Seja excomungado e maldito quem falar contra a verdade das indulgências apostólicas.

72 Seja bendito, porém, quem ficar alerta contra a devassidão e licenciosidade das palavras de um pregador de indulgências.

73 Assim como o papa, com razão, fulmina aqueles que, de qualquer forma, procuram defraudar o comércio de indulgências,

74 muito mais deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, procuram defraudar a santa caridade e verdade.

75 A opinião de que as indulgências papais são tão eficazes ao ponto de poderem absolver um homem mesmo que tivesse violentado a mãe de Deus, caso isso fosse possível, é loucura.

76 Afirmamos, pelo contrário, que as indulgências papais não podem anular sequer o menor dos pecados veniais no que se refere à sua culpa.

77 A afirmação de que nem mesmo S. Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças é blasfêmia contra São Pedro e o papa.

78 Afirmamos, ao contrário, que também este, assim como qualquer papa, tem graças maiores, quais sejam, o Evangelho, os poderes, os dons de curar, etc., como está escrito em 1 Co 12.

79 É blasfêmia dizer que a cruz com as armas do papa, insignemente erguida, equivale à cruz de Cristo.

80 Terão que prestar contas os bispos, curas e teólogos que permitem que semelhantes conversas sejam difundidas entre o povo.

81 Essa licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil, nem para os homens doutos, defender a dignidade do papa contra calúnias ou perguntas, sem dúvida argutas, dos leigos.

82 Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas - o que seria a mais justa de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica - que é uma causa tão insignificante?

83 Do mesmo modo: por que se mantêm as exéquias e os aniversários dos falecidos e por que ele não restitui ou permite que se recebam de volta as doações efetuadas em favor deles, visto que já não é justo orar pelos redimidos?

84 Do mesmo modo: que nova piedade de Deus e do papa é essa: por causa do dinheiro, permitem ao ímpio e inimigo redimir uma alma piedosa e amiga de Deus, porém não a redimem por causa da necessidade da mesma alma piedosa e dileta, por amor gratuito?

85 Do mesmo modo: por que os cânones penitenciais - de fato e por desuso já há muito revogados e mortos - ainda assim são redimidos com dinheiro, pela concessão de indulgências, como se ainda estivessem em pleno vigor?

86 Do mesmo modo: por que o papa, cuja fortuna hoje é maior do que a dos mais ricos Crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos esta uma basílica de São Pedro, ao invés de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?

87 Do mesmo modo: o que é que o papa perdoa e concede àqueles que, pela contrição perfeita, têm direito à remissão e participação plenária?

88 Do mesmo modo: que benefício maior se poderia proporcionar à Igreja do que se o papa, assim como agora o faz uma vez, da mesma forma concedesse essas remissões e participações 100 vezes ao dia a qualquer dos fiéis?

89 Já que, com as indulgências, o papa procura mais a salvação das almas do o dinheiro, por que suspende as cartas e indulgências outrora já concedidas, se são igualmente eficazes?

90 Reprimir esses argumentos muito perspicazes dos leigos somente pela força, sem refutá-los apresentando razões, significa expor a Igreja e o papa à zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.

91 Se, portanto, as indulgências fossem pregadas em conformidade com o espírito e a opinião do papa, todas essas objeções poderiam ser facilmente respondidas e nem mesmo teriam surgido.

92 Fora, pois, com todos esses profetas que dizem ao povo de Cristo: "Paz, paz!" sem que haja paz!

93 Que prosperem todos os profetas que dizem ao povo de Cristo: "Cruz! Cruz!" sem que haja cruz!

94 Devem-se exortar os cristãos a que se esforcem por seguir a Cristo, seu cabeça, através das penas, da morte e do inferno;

95 e, assim, a que confiem que entrarão no céu antes através de muitas tribulações do que pela segurança da paz.
1517 A.D.

Quando meditarmos nessas 95 Teses, devemos recordar-mos das palavras de um precursor da Reforma Protestante John Huss que foi morto na fogueira em 1415: "Hoje vocês assarão um ganso magro, mas em cem anos ouvirão um cisne cantar. Não serão capazes de assá-lo e nenhuma armadilha ou rede poderá segurá-lo". Exatamente 100 anos após esse episódio Martinho Lutero começava a lecionar a carta do Apóstolo Paulo aos Romanos onde ele foi convencido da justificação pela fé com base em Romanos 1:17, o acontecimento que acabou desencadeando a Reforma Protestante. Lembremos que a igreja é de nosso Senhor, e ele a guia da maneira que lhe aprover, segundo os seus eternos propósitos.

Outros Reformadores contemporâneos e pós Lutero:

# Felipe Melancton
# Ulrico Zuínglio
# Meno Simons
# Guilhermo Farel
# Martin Bucer
# João Calvino
# John Knox
# Teodoro Beza
# Thomás Cranmer
  
Graça e Paz

Leandro Rocha